A história da reciclagem do plástico no mundo: Parte 2

A maioria das pessoas não sabe que o plástico é feito de matéria prima não renovável, advinda de combustíveis fósseis, como petróleo bruto e gás natural. Empresas como a Dow Quemical, Sheril e Exxon Mobil conhecidas coletivamente como “indústria petroquímica” pegam este produto básico, combinam com outros químicos e produzem um tipo de plástico bruto conhecido como resina. Dow Quemical, Dupont, 3M, são exemplo de empresas que pegam essa resina e a transforma em grânulos de plásticos ou flocos que são os precursores de embalagens.

Apesar do plástico existir desde a década de 20, a indústria petroquímica só deslanchou após a segunda guerra mundial. Uma variedade imensa de produtos feitos de plástico ficou disponível para comprar. As empresas quiseram produzir em grande escala, em megacentros e assim produzir e engarrafar em massa produtos que poderiam ser enviados nacionalmente e até mesmo exportar. Foi esse o nascimento do que hoje chamamos de “plástico de uso único”. É o saco plástico, o copo de café e água, embalagens de comida, garrafas d’água, canudos, isopor para comidas delivery.

Não demorou muito para esses plásticos sufocarem nossas ruas, entulharem nossos rios e aparecer em nossas praias. Em 1971, propagandas veiculadas nas Tv’s americanas modificaram a ideia de que o responsável pelo resíduo plástico dispensado no mundo não é a indústria, mas sim o consumidor. Incentivos para que o consumidor faça a separação de recicláveis e a coleta seletiva com a criação das setas de reciclagem, possibilitaram que a indústria pudesse produzir e vender cada vez mais, convencendo o consumidor em separar os plásticos em 7 categorias. Apenas os plásticos de número 1 e 2 tinham compradores, mas os demais não eram reciclados. Mesmo assim, convenceram as pessoas que separar todas as 7 categorias era necessário, iludindo o consumidor que os de número 3, 4, 5, 6 e 7 também estavam sendo reciclados. Na verdade, até hoje, apenas os plásticos de número 1, 2 e 5 são reciclados em escala, quase não havendo mercado para os outros tipos. Foi uma grande jogada ambiental.
 

 
Essa mentalidade de reciclagem de produtos se espalhou para diversos países do mundo, mas logo ficou mais fácil e mais barato para os países desenvolvidos venderem seus plásticos para outros países sendo o principal a China, o maior lugar de reciclagem de sucata de plástico do mundo, com ampla infra estrutura industrial, enorme mão de obra com baixos salários e uma indústria de transporte robusta, capaz de importar de forma barata contêineres do mundo inteiro. Além disso, usar material reciclado era mais barato do que matéria prima nova. A China então passou a comprar ¾ de plástico do mundo todo. Mas o objetivo da maioria dos recicladores é encontrar a forma mais eficiente de reciclar, o que nem sempre significa mais ecológica. Os plásticos que sobram são queimados, poluindo massivamente o ar, causando inúmeros problemas de saúde de seus cidadãos. Em julho de 2017 a China anunciou que proibiria a importação de resíduos plásticos e limitaria os demais plásticos recicláveis e em 2018 foi efetivamente proibido. Eles cansaram de ser a ‘lata de lixo do planeta’. No início os recicladores tiveram dificuldade em aceitar a imposição do governo chinês, mas assim que a poluição do ar sumiu e as pessoas voltaram a ver o céu azul e nuvens brancas, perceberam e aceitaram essa decisão.
 

 
O mundo então se desesperou. Inúmeros países tiveram dificuldades para encontrar um lugar para guardar seus materiais. Começaram então a acumulá-los em imensas montanhas de plásticos. Com isso, a nova opção foi o Sudeste Asiático. Na malásia novas oportunidades surgiram, mas a imensa quantidade que chega no país é impossível de ser consumida pelas recicladoras, inundando o país de resíduos. Então, novamente o mundo assiste a poluição de um novo país, com montanhas de resíduos, queimas ilegais poluindo o ar das cidades e a imensa poluição das águas. Foi detectado nas comunidades vizinhas destes locais um aumento de 4 vezes a incidência de câncer em seus moradores, mudando rapidamente a realidade local. Não há possibilidade de reciclar 100% dos plásticos produzidos no mundo.
O governo age fechando fábricas ilegais, mas milhões de toneladas de resíduos continuam contaminando o planeta, sem solução aparente. Simplesmente monitorar fábricas de reciclagem não é a solução. Mesmo assim, o governo malásio faz intenso controle dos tipos de plásticos permitidos para importação, pois tem intenção de incentivar a indústria do país. Mas a situação encontra-se longe de uma solução. Países precisam batalhar juntos para eliminar a poluição no mundo proveniente do plástico. Grande parte das cidades estão aderindo a campanha de eliminação do plástico de uso único, inicialmente proibido distribuição de sacolas plástica e canudos nos estabelecimentos comerciais. No início desta luta, foi necessário movimentar muitos atores em prol desta ação, pois as grandes petrolíferas e redes de mercado são os grandes oponentes destas lutas.
 

A estimativa global é que 5 trilhões de sacolas plásticas sejam usadas a cada ano. São 160 mil por segundo, com uma receita estimada em 39,2 bilhões de dólares anualmente para fabricantes de sacolas plásticas. Sacolas estas que entopem bueiros, matam a vida marinha, poluem corpos d’água usados para consumo humano, causam doenças, morte e destruição ambiental. Cidades se uniram para banir esse produto letal, podendo observar a olho nu mudanças radicais na qualidade ambiental das cidades. As pessoas perceberam que conseguem tranquilamente viver sem a sacola plástica, mas a luta com as grandes empresas produtoras de plásticos é constante.
 
Perdeu a primeira parte deste texto? Acesse
E a terceira e última parte você encontra aqui: A história da reciclagem no mundo: Parte 3
 
Este conteúdo foi retirado da seguinte fonte: Documentário Netflix. Desserviço ao consumidor: a farsa da reciclagem. Em Dez 2019.
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