É necessário criar resiliência – reflexões sobre o novo relatório sobre mudanças climáticas do IPCC.

No dia 28/02 foi publicado o relatório  “Impactos Adaptação e Vulnerabilidade”, desenvolvido pelo Grupo de Trabalho II do Relatório de Avaliação – AR6, do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, o IPCC.

O resultado do relatório, que contou com a participação de 270 autores de 67 países e análise de mais de 80 mil referências, traz informações fundamentais para compreendermos o atual cenário de mudanças climáticas, suas implicações regionais e medidas importantes que precisam ser tomadas para mitigarmos as emissões de carbono mas também criar resiliência, ou seja, adaptar os sistemas naturais e as comunidades humanas às consequências das mudanças do clima.

Uma das primeiras reflexões reside no fato de que já passamos de um ponto de não retorno e os ecossistemas e a sociedade já estão sofrendo as consequências destas mudanças. De acordo com o relatório, “a extensão e magnitude das mudanças climáticas são maiores do que os estimados em avaliações anteriores”(IPCC, 2022), trazendo graves prejuízos ambientais, humanos e econômicos e dificultando o desenvolvimento de resiliência climática.

Ou seja, sobretudo devido às atividades humanas até aqui, a partir da 1ª e 2ª revolução levaram a temperatura a uma média de 1,09 ºC, muito perto da meta de 1,5ºC, estabelecida pelo Acordo de Paris.

Este pequeno aumento global, já está sendo suficiente para promover grandes mudanças climáticas locais, como mudanças no regime de chuvas, aumento da incidência de secas, eventos climáticos extremos e eventos chamados “singulares”, eventos irreversíveis, como a quebra e derretimento de grandes geleiras, que podem trazer graves consequências, como o fortalecimento de causas do aquecimento global.

Este agravamento tem seus impactos potencializados em virtude dos chamados fatores não-climáticos. Impactos ambientais provocados pela ação humana – degradação ambiental, deflorestamento, poluição, entre outro – que aumentam a exposição de populações humanas frente aos impactos das mudanças climáticas, com especial atenção a populações impactadas diretamente pelas consequências destas mudanças, como pequenos agricultores, que sofrem com secas severas ou chuvas, que destroem suas lavouras e comunidades indígenas, que vivem do extrativismo e comunidades  pesqueiras. Populações que retiram sua fonte de renda e sua subsistência de seus territórios locais. Além disso, o nível de vulnerabilidade destas populações passa por outras condicionantes sociais, como as questões étnico raciais, de gênero e de renda.

Outra conclusão importante reflete a urgência de ações com foco na criação de resiliência climática e diminuição das emissões. A “janela de oportunidade” está se fechando. A falta de ação de autoridades nacionais e regionais, seja no poder público ou privado, nos coloca hoje diante de um cenário mais grave sobre o futuro do clima e a cada ano a meta climática se torna mais difícil de se atingir. Isto nos coloca diante de um grande desafio. De acordo com as conclusões do relatório, a cada incremento de temperatura, em especial acima da meta climática, aumentará – de forma desproporcional – a escala e intensidade de fenômenos climáticas, aumentando os impactos sobre a biodiversidade, os ecossistemas e as populações humanas.

Tal urgência não deve nos levar ao desespero e sim a ação, e já existem soluções. Neste sentido, um dos pontos de destaque no relatório é a importância do investimento em pesquisa e desenvolvimento de soluções baseadas na natureza.

O IPCC destaca a importância da conservação, preservação e a restauração de ecossistemas degradados, como medida fundamental para o aumento da resiliência dos sistemas naturais e humanos.  Dentre as soluções, o relatório destaca iniciativas como a agricultura urbana, a diversificação paisagística e soluções baseadas na natureza, como a promoção de práticas agroecológicas.

Outro ponto de destaque é a valorização do saber tradicional e local no desenvolvimento das soluções. Uma importante conclusão do relatório – sobretudo por suas implicações políticas, em especial em países como o Brasil, que vive um histórico de perseguição e pressão em cima da regulamentação de territórios indígenas – é o reconhecimento de saberes tradicionais como princípio fundamental da promoção da justiça climática, que se traduz no “respeito básico e engajamento robusto e consideração justa de diversas culturas e perspectivas.””(IPCC, 2022).

Para além de um princípio necessário ao exercício pleno da justiça climática, a consideração das perspectivas tradicionais e locais na criação de soluções com vistas à adaptação e desenvolvimento em resiliência, tem também um papel estratégico.

Além da falta de investimento, a vulnerabilidade reside em problemas de governança. De acordo com o relatório, quando da análise das implicações no curto prazo “os conflitos violentos e, separadamente, os padrões de migração, a curto prazo, serão impulsionados por condições socioeconômicas e governança mais do que pelas alterações climáticas”(IPCC, 2022). O relatório aponta também a limitação imposta pela falta de coordenação e capacidade institucional e tecnológica para a implementação de soluções de adaptação. 

O investimento e capacidade institucional e governança, neste sentido, se apresenta como solução fundamental para o desenvolvimento de soluções que sejam pensadas levando em consideração suas características locais, mas que estejam integradas ao contexto regional e suas implicações nos diferentes atores sociais que serão impactados direta e indiretamente pela implementação destas soluções e que sejam também responsivas, ou seja, que levem em consideração os potenciais impactos de diferentes cenários de aumento da temperatura global, em especial aqueles que indicam médias acima de 1,5ºC.

É NOSSA HORA DE AGIR!

Dados como os apresentados pelo IPCC soam como um alerta vermelho para a sociedade.

O momento não é de desespero, mas de atenção e AÇÃO.

Como cidadãos, podemos contribuir com esta mudança de cenário de várias formas:

Em nosso consumo individual, implementando os R’s do consumo consciente

Como representantes da sociedade civil, buscando participar das decisões que impactam na saúde ambiental e nas mudanças climáticas, que ocorrem em sua cidade, estado e no seu país.

E se informando – com cuidado, para não cair em notícias falsas que são espalhadas nas mídias sociais, que são propagadas com o fim de guiar a opinião pública para interesses individuais.

Um destes canais é a Oudiser Brasil!

Conte conosco para se informar sobre o que acontece no Brasil e no mundo e para lhe auxiliar  na implementação de soluções ecológicas e em gestão de resíduos para seu condomínio!

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Este conteúdo foi criado usando como referência matérias jornalísticas e pesquisas científicas. Quer se aprofundar no tema? Recomendamos fortemente que acessem as nossas referências bibliográficas abaixo!

IPCC, 2022: Summary for Policymakers [H.-O. Pörtner, D.C. Roberts, E.S. Poloczanska, K. Mintenbeck, M. Tignor, A. Alegría, M. Craig, S. Langsdorf, S. Löschke, V. Möller, A. Okem (eds.)]. In: Climate Change 2022: Impacts, Adaptation, and Vulnerability. Contribution of Working Group II to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change [H.-O. Pörtner, D.C. Roberts, M. Tignor, E.S. Poloczanska, K. Mintenbeck, A. Alegría, M. Craig, S. Langsdorf, S. Löschke, V. Möller, A. Okem, B. Rama (eds.)]. Cambridge University Press. In Press. Disponível em < https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg2/

IPCC.2022: SIXTH ASSESSMENT REPORT Working Group II – Impacts, Adaptation and Vulnerability. Fact sheet – Biodiversity. Climate Change Impacts and Risks. Disponível em < https://report.ipcc.ch/ar6wg2/pdf/IPCC_AR6_WGII_FactSheet_Biodiversity.pdf

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