Proibir sacolas e canudos plásticos de uso único, resolve o problema?

Recentemente temos observado algumas mudanças na legislação municipal relacionada ao uso de sacolas e canudos plásticos. Alguns municípios estão orientando os comerciantes a não distribuição destes itens aos consumidores. Ou seja, ao comprar alguma bebida, não lhe será mais ofertado um canudo e nem uma sacola plástica. Adquirimos o hábito de, ao comprar um item em um estabelecimento comercial, ganhar junto uma sacola plástica e nem observamos a quantidade que recebemos durante uma semana. Se imaginarmos essa quantidade em toda nossa existência, esse número é assustador. Comece a contar, você vai se surpreender. E se ainda somarmos os copinhos plásticos que utilizamos para tomar, em alguns segundos, um gole de água num bebedouro, ou um cafezinho no local de trabalho, o número será ainda maior. Faça um teste: ao invés de descartar esses resíduos na lixeira, acumule eles em sua residência por um mês. O que você acredita que vai acontecer? Num primeiro momento podemos pensar: “Eu não tenho lugar em casa pra fazer isso!”. Pois então, pense bem, quem é o responsável por encher a casa (o planeta) de resíduo? Quem usou esses plásticos? Quem fez a opção de usar plásticos ao invés de alternativas reutilizáveis? O resíduo gerado é de quem o comprou, ninguém mais. Quem faz a opção por comprar, usar e descartar é exclusivamente você!

Mas o plástico não é reciclável?

No Brasil, segundo o Fórum Lixo e Cidadania, o Brasil produz 11 milhões de toneladas de lixo plástico por ano e somente 1,2 por cento é reciclado. A média global é de 9%. Isto significa que 98,8% de todo plástico produzido no país está no meio ambiente. Segundo um estudo da WWF (world wild foundation) o Brasil ocupa o quarto lugar no mundo como produtor de resíduo plástico, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (com 70,8 milhões), a China (com 54,7 milhões) e a Índia (com 19,3 milhões). O plástico é um polímero originado de uma fração do petróleo chamada nafta. Mas pode também ser feito de fontes renováveis, como o plástico feito a partir do milho, da beterraba, da mandioca, da cana-de-açúcar entre outros, que quando totalmente orgânicos, podem ser destinados para a compostagem. O plástico se subdivide de acordo com a composição de sua cadeia de moléculas e é classificado conforme a imagem abaixo:

 

 
Mas alguns tipos de plásticos não são recicláveis, fique atento:
 

E para onde vai tanto o plástico?

Os plásticos além de irem para o processo de reciclagem, em sua maioria são destinados aos aterros sanitários, aterros controlados, lixões, mares, rios, lagos, etc.

Segundo a ONG WWF, “cerca de um terço de todo o material descartado no mundo retornou à natureza poluindo o ecossistema, o que representa 100 milhões de toneladas de lixo por ano. O prejuízo é estimado em US$ 8 bilhões ao ano na pesca, no comércio marítimo e no turismo. O cálculo foi feito pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. No entanto, pesquisas apontam que a poluição em terra é quatro vezes maior”.

Podemos ver, por exemplo, o que está acontecendo em diversas praias de todo o mundo.

 

Imagem: Caroline Power Cortesia para: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-41853621

Pode até ser que você ainda não tenha visto, mas basta programar uma viagem de férias na praia que você pode ser surpreendido. Ou sair de barco pela Baía de Santos e você poderá se deparar com as toneladas de resíduos que são coletadas diariamente por barcos e mergulhadores.

Problemas causados pelos plásticos na saúde humana e dos animais

Estima-se que o ser humano está consumindo cerca de 121 mil micropartículas plásticas por ano. Ainda estão em estudo seus efeitos na saúde humana, mas é de senso comum entender que nosso organismo não está preparado para processar esses resíduos. Os microplásticos são as partículas restantes do processo de decomposição do plástico no meio ambiente. Mas o plástico tem uma duração média de 400 anos. Isto significa que, desde nosso nascimento, todas as escovas de dentes provenientes do plástico que utilizamos estão por aí, em algum lugar do solo ou das águas. E no processo de decomposição, surgem os microplásticos, que estão por todo lugar, na água, na terra e no ar. Não só os ingerimos, como também os inalamos (agravado com a invenção das sacolas oxibiodegradáveis).

Na vida marinha, a ingestão de plásticos acarreta em inanição e mortes por asfixia. Os animais marinhos têm dificuldade em distinguir os plásticos de seus alimentos naturais e acabam ingerindo todo tipo de resíduo disponível em seu habitat. Na nossa alimentação, ao consumirmos esses animais, ingerimos de forma indireta os nossos próprios resíduos plásticos.

Fonte da imagem: https://hblwatches.com/hashtag/lixonapraia

Existem várias soluções

Para todo problema existem diversas soluções. Para esta situação do plástico podemos, por exemplo: exigir políticas públicas, promover campanhas de orientação para a sustentabilidade, sugerir novas leis ao poder público, entre outras. Mas você pode começar mudando seus hábitos em favor do meio ambiente e da preservação do seu planeta. Fazer a sua parte fará grandes mudanças, pois é pelo exemplo que propagamos nosso legado. E como começar?

Temos algumas dicas para ajudar você a mudar agora mesmo seus hábitos. Você já ouviu falar dos 5R’s?

 

Fonte: https://www.stylourbano.com.br/conheca-os-5-rs-da-sustentabilidade-para-a-industria-da-moda-circular/

Toda vez que for consumir algo, repense. Fique alguns segundos imaginando se consumir esse objeto é realmente necessário. Observe se há alguma opção mais durável ou sustentável, assuma o poder de suas escolhas. Não aja por impulso. Recuse o que não lhe é necessário. Não compre utensílios que não são recicláveis. Escolha objetos reutilizáveis e carregue eles com você, como por exemplo: copos reutilizáveis para o cafezinho, garrafinhas de aço inox para água, canudos comestíveis ou de fibra de coco, de aço inox, entre tantas outras opções. Utilize escova de dente e de cabelo feitas de bambu ou madeira. Carregue com você um lenço de algodão no lugar de lenços umedecidos ou de papel, opte por fraldas e absorventes de pano, escolha produtos de empresas que não usam mão de obra escrava ou exploratória (sim, isso ainda existe no mundo) e que usem produtos que não agridam os animais e o meio ambiente. Pesquise sobre a empresa antes de comprar qualquer objeto (não compre só pelo preço, pois a obsolescência programada existe e é um grande problema ambiental) e assim por diante. Existem inúmeras opções.

Que tal começar recusando canudos e sacolas plásticas? Tenha sempre uma bolsa e um copo reutilizáveis com você! No decorrer dos anos você terá feito muita diferença, pode acreditar!

Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. Amanhã pode ser tarde de mais.

 

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